Viagem para Campo Grande e Corumbá – MS

Eu e o Maurício de Almeida passamos a última no Mato Grosso do Sul, mais especificamente em Campo Grande e Corumbá, pelo projeto Arte da Palavra, do SESC. Eu vivo me cobrando para escrever mais aqui no blog, especialmente coisas que não sejam “institucionais”, e essa viagem foi tão legal, que eu não poderia deixar de dizer um monte de coisas sobre ela.

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O projeto Arte da Palavra

A primeira coisa que acho importante é falar um pouco sobre o projeto. O Arte da Palavra é um enorme circuito de circulação de escritores, ilustradores e outras pessoas ligadas à literatura. A ideia, em linhas gerais, é que unidades do SESC de todo país recebam a visita desses autores e afins – vindos, também, de várias partes do país – para bate-papos, oficinas, apresentações, etc., em uma grande rede.

Um traço importante a ser notado é que há três frentes: oficinas, encontros com autores e oralidades. As oficinas duram uma semana, com autores convidados instalados em uma cidade pertencente ao circuito; oralidades são apresentação mais ligadas à transmissão oral da palavra – como contação de histórias, poesia recitada, etc. – e encontros com autores são o que nós fizemos. Escritores visitam de duas a três cidades em cada viagem e fazem um bate-papo à noite na unidade local do SESC, enquanto de dia visitam alguma escola, para conversar com os alunos. Muito bom.

Essas viagens têm gerado alguns encontros entre os próprios participantes convidados, e isso é legal também. Enquanto passamos por Campo Grande, a Ninfa Parreiras estava dando sua oficina lá. Já em Corumbá, a Ana Paula Maia estava dando oficina também. É bom que os alunos também podem encontrar outros escritores ao mesmo tempo, trocar ideias sobre a escrita com mais gente.

 

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Nosso encontro no SESC Morada dos Baís, em Campo Grande – MS

Campo Grande

Chegamos em Campo Grande na segunda-feira, para na terça já começarmos com as atividades. À tarde fomos na UEMS, a Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, para conversar com os alunos dos cursos de Letras e Artes Cênicas, da graduação e pós. Eu gosto bastante de falar com o público universitário, me identifico bastante, por ter passado grande parte da minha vida adulta dentro da universidade. A conversa foi bem legal e a amizade que tenho com o Maurício (a gente conversa quase todo dia, ele é um dos meus melhores amigos) já começou a dar sinais de que funcionaria bem nas mesas.

À noite, teve o bate-papo no SESC Morada dos Baís, e foi bem bacana também. Antes que você tente achar o que são Baís no dicionário (como eu fiz), já esclareço: os Baís eram uma família muito rica de lá, que tinham uma filha artista plástica, a Lídia Baís. O SESC fica na antiga casa da família, tem um acervo muito bom das peças e pertences da Lídia, é um dos SESCs mais bonitos que eu já vi, vale muito a visita. É uma casa linda, com um museu dentro e todas as atividades que o SESC oferece. Demais.

Outra visita que recomendo muito a quem for a Campo Grande é o complexo que envolve o Parque das Nações Indígenas, onde estão também o MARCO – Museu de Arte Contemporânea e o Museu das Culturas Dom Bosco. Este último, especialmente, foi um dos pontos altos da viagem. Objetos indígenas e animais conservados fascinantes estão expostos em uma cenografia impressionante. Vale demais a visita.

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Uma das instalações do Museu Dom Bosco (a foto foi retirada do site deles)

 

Corumbá

De Campo Grande fomos para Corumbá, de ônibus. É uma estrada que passa pelo pantanal e todo mundo diz que é possível ver muitos animais ao longo do caminho. Pena que mais uma vez o meu azar com a presença de bichos em viagens – eu, que sempre vou louco para vê-los – se fez presente. Não vi uma capivara sequer durante toda a semana. Tuiuius, só nos mil souvenirs com sua figura.

A primeira atividade em Corumbá foi na escola estadual Júlia Gonçalves Passarinho. Eu fico um pouco intimidado com o público mais adolescente, morro de medo de soar como piada de tiozão, mas a coisa funcionou bem. Outra coisa que eu preciso muito destacar no projeto Arte da Palavra: os nossos livros são enviados antecipadamente às escolas e SESCs, então já temos leitores na plateia. Nessa escola, fez bastante diferença, e as perguntas dos alunos já vinham com muita base e até uma certa provocação a nós, enquanto autores. Esse é o lance.

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Nosso encontro na escola estadual JGP. Ali do lado, tivemos uma tradutora em LIBRAS, porque a escola lida com educação especial também. Sensacional.

À noite, fizemos o bate-papo no SESC, uma unidade muito acolhedora. A biblioteca deles é ótima, inclusive. A conversa foi bem legal, tivemos na plateia gente da academia (no sentido universitário da palavra), o pessoal da oficina da Ana Paula Maia, e escritores, o que gerou bastante assunto para discutirmos.

Nas horas livres, passeamos como nunca, ciceroneados pela equipe mais acolhedora e entusiasmada que eu já encontrei por essas viagens. Fomos ao MUHPAN – Museu do Pantanal, ao Instituto Moinho – onde se comemorava o aniversário de 99 anos do seu Agripino, um violeiro e entidade cultural – e ver o pôr do sol sobre o rio. Na última manhã da semana, ainda atravessamos a fronteira com a Bolívia, para passear em Puerto Quijarro.  Foi uma baita viagem legal, uma das melhores, sem dúvida.

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Eu e o Maurício, atravessando a fronteira para a Bolívia

Finalizando

Eu já fiz um número considerável de viagens com o trabalho literário, pelo SESC ou por outras vias, e devo dizer que essa foi uma das vezes em que tive a melhor acolhida. Eu e o Maurício conversamos várias vezes sobre o quanto fomos bem recebidos, seja pelos mediadores – que mandaram muito bem em todos os encontros, e nos acompanhando nas atividades “paradidáticas”, como diz o Henrique Rodrigues – ou pelo público, mas, principalmente, pelas pessoas que trabalharam com o SESC esses dias e que fizeram por nós muito mais do que apenas seu trabalho. Fomos conduzidos a conhecer suas cidades, suas pessoas, seus patrimônios culturais, de uma forma intensa e muito, muito receptiva mesmo. Então, quero agradecer demais mesmo, e deixar minha reverência, às seguintes pessoas, que nos dedicaram tanto de seu tempo, disposição e generosidade: Thais Pompeo, Francielle Gadotti, Wellington Ramos, Marcelle Ravanelli, Lívia Gaertner, Kleverton Teixeira, Ivan Costa e Thayná Cambará. Muito obrigado mesmo, por terem feito desses dias algo inesquecível. Espero que possamos ter deixado algo bom para vocês também.

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Um brinde de mocochinchi a essa viagem inesquecível.

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