Palestra “Música na literatura” em Bauru, na Academia Bauruense de Letras

A convite da Academia Bauruense de Letras, no próximo sábado (29/10), às 16h, vou dar uma palestra falando sobre a presença da música na literatura. O evento será na sede da Academia, dentro do Museu Ferroviário Regional, em Bauru – SP (Rua Primeiro de agosto, q. 1). A entrada é grátis, basta chegar.

Para quem não sabe, além do meu trabalho como escritor, tenho formação e experiência profissional com música e, em especial, trilha sonora. Sou graduado em música: composição e regência, pela UNESP – SP, e mestre em meios e processos audiovisuais pela USP – SP, tendo estudado no meu mestrado o uso de trilhas musicais no cinema. Também já dei aulas em cursos universitários sobre esse tema.

Nessa palestra, vou falar sobre diferentes abordagens que muitos escritores já experimentaram para tentar trazer a música, ou suas características, para dentro do texto literário.

E como trazer para o texto – formado basicamente de significantes e semântica (as palavras e o sentido) –  a música, que é uma linguagem na qual não há semântica?

Escritores e outros agentes do livro tentaram de diversas maneiras, ao longo do tempo, trabalhar essa equação: desde sugerir, no corpo do texto, músicas a serem escutadas junto com a leitura ou até oferecê-las em mídias para serem executadas em sincronia. Porém, mais interessantes do que isso costumam ser os casos em que escritores trouxeram para dentro da construção narrativa, dramática e estética alguns elementos musicais, criando situações em que a presença de um elemento musical realmente faz diferença, transforma a história ou os efeitos estéticos do texto, e não é mero acessório.

Isso pode ser feito através do uso de figuras de linguagem que criam efeitos relativos ao som (como a assonância e a aliteração, por exemplo), a emulação de processos composicionais mais tradicionais da música trazidos para o texto (como o uso de leitmotivs: palavras, imagens ou metáforas sendo reiterados e variados tais quais “temas” ou “motivos”), ou a articulação de uma determinada música com a narrativa, feito uma espécie de “trilha sonora” para certos personagens ou conceitos. No primeiro volume de Em busca do tempo perdido, intitulado No caminho de Swann, por exemplo, Marcel Proust utiliza uma sonata – composta pelo personagem Vinteuil – como “tema musical” do casal Charles Swann/Odette de Crécy. E, sim, é como no cinema, na TV ou na ópera (que era a narrativa musicada existente à época): a música é tocada quando eles estão juntos; a música é tocada quando um dos dois está sozinho e ela remete ao outro; a música, através das transformações de seu uso ao longo do tempo, é representativa das transformações pelas quais o casal também passa. Aliás, a forma como Charles se relaciona com a música através da narrativa espelha exatamente a forma como ele se relaciona com Odette, transitando entre o fascínio e a indiferença.

Enfim, há esses e muitos outros exemplos interessantes de como escritores feito Machado de Assis, Cruz e Souza, Adriana Lisboa, Maurício de Almeida (que criou uma Fuga em texto!) e Hazel D. Campbell fizeram com que a música, ou elementos musicais, possibilitassem criações textuais diferenciadas, nas quais a presença da música – ainda que surda – é vital. Ela entra como um elemento de cena imprescindível e altamente simbólico.

Apareçam, se se interessarem para conhecer mais. Prometo que será divertido. Valeu!

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