Viagem pela Semana Literária, do Sesc – PR

Nos últimos dias aconteceu a 34a. Semana Literária, do Sesc – PR. Pra quem não conhece esse evento, explico: o Sesc monta, ao longo de uma semana, programações literárias simultâneas em diversas cidades do Paraná, especialmente em suas unidades. Vários autores são convidados e a grande maioria deles faz uma espécie de “tour”, passando por 4 ou 5 cidades de alguma região do estado, em circuitos paralelos, para participar de Mesas e afins. Bem bacana.

Eu fui, ao lado da poeta Bruna Beber e do músico e escritor Carlos Machado, para Apucarana, Londrina, Cornélio Procópio e Jacarezinho. Chegamos todos em Londrina na segunda-feira e de lá partimos em um micro-ônibus para cada cidade, chegando à tarde e fazendo os Bate-papos pela noite. Devo dizer que acho uma boa proposta essa: a de, já que se tirou o escritor de casa, levá-lo a vários lugares em uma tacada só. É isso o que bandas fazem, já que é inviável financeiramente montar um show em uma cidade e voltar, e, especialmente em tempos de crise, é um modelo que poderia vingar na literatura, guardadas as devidas proporções.

A primeira parada foi em Apucarana, e começamos muito bem. É uma cidade pequena e, muitas vezes, como acontece com perfumes e frascos, é nas menores cidades que se guardam os melhores públicos. O salão ficou quase todo cheio, com presença de uma turma de estudantes de Letras e de outras pessoas. Nossa primeira conversa, com as perguntas do público, estendeu-se tanto, que quase não conseguimos encontrar um lugar aberto para comer em seguida. Falamos um pouco sobre nossos trabalhos e sobre Manoel de Barros, o homenageado da Semana. Ao fim, lemos trechos de seus poemas, e fiquei feliz de encontrar entre as possibilidades impressas nos cartões A didática da invenção, um dos meus preferidos e que dizia tudo o que eu tentei passar sobre criação. Mas, claro, ali de forma muito mais rica.

Após o Bate-papo em Apucarana.

Após o Bate-papo em Apucarana.

Na terça-feira, voltamos a Londrina, para o segundo Bate-papo. A quantidade de público foi um pouco prejudicada pela chuva e pelo recesso das faculdades após a greve, mas as pessoas que foram participaram bastante. O fato de ser nossa segunda conversa juntos ajudou no entrosamento entre mim, a Bruna e o Carlos. É bastante curioso como mesmo tendo os mesmos três autores reunidos, as conversas podem variar tanto entre si, dados os diferentes mediadores e públicos. No dia seguinte, fomos para Cornélio Procópio, e essas duas cidades formam o par que eu já tinha visitado ano passado com o escritor Luís Henrique Pellanda, em um projeto parecido, chamado “Autores & Ideias”. Em Cornélio tivemos plateia cheia também, com a participação de muitos alunos do ensino médio, do magistério e de outros visitantes. Falamos bastante sobre os mais diversos assuntos e – será uma sina da cidade, ou isso só acontece quando estou lá? – de novo surgiu uma certa polêmica sobre os best-sellers e sua validade ou não como caminho de leitura.

Bate-papo em Cornélio Procópio.

Bate-papo em Cornélio Procópio.

Nossa última parada foi em Jacarezinho e devo dizer que foi uma agradável surpresa, a se destacar em meio às outras cidades que também haviam nos surpreendido. Esse foi o único Bate-papo que não se passou em uma unidade do Sesc, mas sim no anfiteatro (cheio!) de uma faculdade, a UENP (Universidade Estadual do Norte do Paraná). Tivemos uma recepção bem bacana, com alguns dos alunos lendo trechos de textos nossos, e um telão exibindo imagens dos livros ou de nós. A conversa foi provavelmente a que abarcou mais assuntos diferentes, unindo Manoel de Barros, nossas carreiras, os livros atuais, o processo criativo e a relação com leitores e alunos. Fechamos a viagem com chave de ouro.

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Bate-papo na UENP, em Jacarezinho.

Nesses tempos de crise, em que tudo parece estar desabando na área de cultura, a recepção tão agradecida e entusiasmada do público de cada cidade faz você pensar que esse tipo de coisa não pode se perder. Talvez tenhamos que repensar os projetos, os formatos, orçamentos e tudo mais, porém acho vital que não deixemos de bater à porta dos potenciais leitores para conversar com eles sobre a literatura atual. Nós, os escritores, não estamos mortos. Os leitores tampouco. É a ponte entre um lado e outro que não se pode deixar desmontar. Agradeço muito a cada pessoa envolvida nesse projeto, especialmente a Oasys Cultural, pela curadoria, e ao Sesc, por contribuir para que a nossa bola continue sendo tocada para a frente.

Quando escrevi aqui no meu blog sobre a viagem com o Pellanda, ano passado, lembro-me que mencionei uma frase dele, que não saíra de minha cabeça, dizendo que “os escritores ficam se preocupando em ir pro exterior, mas deveriam se atentar a ir pro interior”. Essa fala continua a ressoar para mim; com essa viagem ela foi confirmada de novo, de novo, de novo e de novo.

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