FLIP! (e as primeiras revelaçõezinhas sobre meu novo livro)

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Podem dizer o que for, pra mim os dias da FLIP são os mais legais do ano. Sim, lá a literatura muitas vezes fica em segundo plano; sim, muita gente vai só porque parece chique e, sim, definitivamente alguns dos selecionados para a programação passam longe de serem os representantes ideais da escrita no Brasil. MAS…  é a época em que encontro, ao mesmo tempo e a todo o tempo, os meus amigos do meio literário. Alguns deles são meus melhores amigos, moram em outros estados, e é só nessa meia-semana que conseguimos conversar pessoalmente sobre os assuntos que só nós gostamos, de manhã até à noite. Onde mais você poderia sentar em uma(s) mesa(s) de bar(es) e inventar apelidos maldosos pra livros e escritores (e ter a piada entendida), ou poder ouvir que o novo do Milan Kundera é “do caralho”? E é isso o dia todo, até altas horas da noite. Coisa linda.

A Flip é grande, grande demais. Por isso decidi me ater só ao que me toca. O que seria “o meu pedaço da Flip”, e que eu adoro, sim senhor. Antes de publicar meu livro, eu sonhava em ir pra lá, mesmo que só como turista. Hoje que posso ir como escritor é uma alegria enorme. Tento sempre manter em minha lembrança como eu poderia estar longe disso e ávido por estar perto, pra quando estou perto recuperar a mesma avidez.

Dessa vez fui com menos tempo, mas deu pra aproveitar, principalmente a Casa Sesc, onde alguns dos meus colegas de Prêmio participaram de mesas bacanérrimas. Aliás, esse foi o ano em que a Flip transpareceu de vez a força da programação paralela, o que eu acho bem bacana. A coisa fica mais plural e, convenhamos, dá uma separada e abre espaço pra quem quer ver literatura mesmo, ao invés de estar preocupado só em tirar selfie em frente à tenda principal. Muitos dos autores que falaram lá estavam também em outras mesas, outras casas, outras conversas. Ótimo!

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Casa Sesc sempre cheia em sua programação (clique para ampliar).

Preciso destacar que esse ano foram lançados não somente os livros dos vencedores do ano – Débora Ferraz, com Enquanto Deus não está olhando, na categoria romance, e Alexandre Marques Rodrigues, com Parafilias, na categoria Contos – que estou ansioso para ler (e já ouvi elogios por aí), mas também foi lançado o Catálogo do Prêmio Sesc de Literatura, com matérias e artigos sobre o prêmio e um “bônus” pra lá de legal: um conto inédito de cada autor vencedor do prêmio, cobrindo todas as edições até a do ano passado. É a primeira vez que temos todos reunidos em um único volume. Contribuí com Ecos, um conto breve sobre culpa, trauma, loucura e outros elementos que deram uma cara meio de thriller a ele. Se você estiver em algum Sesc, dê uma procurada nesse volume. Eu realmente espero que eles o lancem em versão digital, ou algo assim, para que mais gente possa ler.

Eu participei de uma Mesa na Casa Sesc, no domingo às 10h. Apesar do horário ingrato, foi bem bacana. Tivemos um público bastante razoável em número, e excelente na participação. Não sei, dava pra sentir que estava todo mundo gostando, estavam ali com a gente. E, bem, nós estávamos ali com eles. Nós: eu, o Santiago Nazarian, o Nereu Afonso (os dois escritores convidados como eu) e Fred Girauta, que fez a mediação.

Foi uma das Mesas mais legais que já participei. Nós funcionamos bem, e não teve aquelas “dissonâncias” que geralmente pintam em Mesas, quando um (ou mais) convidado(s) parece simplesmente não entender que aquele não é o momento de ele se promover o máximo possível ou ficar falando de si mesmo: seus gostos, suas vitórias, suas histórias, etc etc. Foi bem legal nossa conversa e todo mundo parece ter gostado. Eu curti demais. Estava precisando de uma Mesa mais bacana na vida.

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Mesa que gostei demais de participar com (esq. pra dir.): Fred Girauta, na mediação, Santiago Nazarian e Nereu Afonso (clique para ampliar).

Fiquei tão à vontade no papo que, a hora que percebi, estava contando sobre a história do meu romance por vir, algo que não esperava fazer ainda, dado meu “ciúme” de um livro que estou escrevendo e ainda não publiquei. Como não acho justo que apenas quem estava lá possa ter essas informações, aí vai algumas das revelaçõezinhas que soltei:

O romance trata de um processo de luto de uma mãe com relação ao filho. Na verdade, da saída desse processo. Paralelo a esse arco, há um outro relacionado: a sobrinha e afilhada da protagonista fica grávida e a tristeza pela criança que se foi começa a ceder espaço para os bons sentimentos com relação à criança por vir. São nove capítulos no livro, cada um relativo a um mês e intitulado como tal.

Bom, não digo mais nada por enquanto, embora haja muito mais a ser dito. É preciso alguma surpresa nessa vida, então não contei as coisas mais importantes. Acompanhem nossa programação para mais novidades em breve. Porque ainda há outras boas notícias que essa Flip pode ter trazido e ainda não posso contar.

Agradeço ao Sesc pelo convite mais uma vez, especialmente ao Henrique Rodrigues, que fez a curadoria da programação e nos incluiu. Agradeço muito aos meus colegas de Mesa, especialmente ao Santiago Nazarian, que se mostrou bastante gentil em relação ao meu trabalho tanto durante o bate-papo quanto antes mesmo de chegarmos lá.

Foi bem legal estar na Flip esse ano. No próximo, estarei lá de novo com certeza. Espero que já tendo lançado o Re

Putz, quase soltei o título do romance aqui. Calma, ainda não.

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