Post de fim de ano

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Chega essa época e é aquele clima de retrospectiva da vida e do ano pra todo lado. Eu não sou muito chegado a fazer listinhas de melhores do ano, ou coisas do gênero, mas resolvi fazer aqui um momento de “olhar para trás”.

Quis rever um pouco do que publiquei aqui, alguns livros que gostei e algumas das pessoas que acho que merecem ser destacadas, pelo tempo que partilhei com elas e pelas leituras que me proporcionaram.

Bom, sem mais delongas, queria começar falando um pouco sobre uma das coisas mais legais que acho que consegui fazer nesse blog: conversar com colegas e amigos escritores.

Entrevistas no “Com a palavra”

Aqui no blog, pra quem já conhece, há a seção “Com a palavra” na qual converso com alguns escritores, em uma espécie de entrevista. Eu gostaria que fosse muito mais um diálogo ao estilo “conversa de bar” sobre literatura e processo criativo, mas nem sempre consigo alcançar esse objetivo. Eu não sou muito bom de conversa e acho que o processo criativo e a própria literatura podem ser assuntos difíceis de se achar o tom certo (até porque cada escritor tem sua relação particular com a escrita e com entrevistas). Mas nada disso impede de ter havido alguns diálogos bem bacanas, nos quais aprendi, me diverti e me empolguei bastante. Então, agradeço mesmo aos colegas e amigos que se dispuseram a participar esse ano (se quiser ler as entrevistas, é só clicar sobre o nome do autor): Sérgio Tavares, Vanessa Maranha, Julián Fuks, Ronaldo Cagiano, André de Leones, Marcos Peres e Flávio Izhaki. Vou incluir aqui o Henrique Rodrigues, que foi o primeiríssimo entrevistado, em dezembro de 2012.

Outros encontros

Falei aqui no blog sobre alguns dos eventos que participei. Na verdade, quando fui checar o blog, percebi estarrecido que escrevi bem menos sobre isso do que gostaria. Tem posts que eu juro que tinha feito um texto a respeito (deve ter sido só na minha cabeça), e quando vi aqui não tinha nada, infelizmente. Gostaria muito de ter falado sobre minha visita à Escola Sesc, no Rio (acabei falando sobre isso só no meu Facebook), ou sobre a Flip.

Mas, vamos lá: escrevi um post sobre o Fórum das Letras, em Ouro Preto (leia AQUI). Fui como parte das comemorações dos 10 anos do Prêmio Sesc, para participar de um Bate-papo com as outras vencedoras Lúcia Bettencourt e Luisa Geisler. O Bate-papo foi bacanérrimo, mas eu devo admitir que o melhor dessa viagem foi conhecer Humberto Werneck, um dos caras que mais passei a admirar nesse ano. Além de uma companhia muito divertida – cheia de histórias e humor inteligente – Humberto passou também a fazer parte de meus hábitos: não há domingo desde então que eu não inicie com a leitura de suas crônicas, no site do Estadão. Uma melhor que a outra.

Também foi muito bacana a Flip desse ano (outro “putz, eu devia ter escrito sobre isso!”), principalmente pelo fato de ter havido a comemoração dos 10 anos do Prêmio Sesc, com a presença da maioria dos vencedores durante esse período. Estavam lá Eugênia Zerbini, Lúcia Bettencourt, Wesley Peres, Maurício de Almeida, Sérgio Léo, Márcio Leite, Sérgio Tavares, Luisa Geisler e, claro, os grandes vencedores desse ano: Marcos Peres, com seu romance O Evangelho segundo Hitler, e João Vereza, com sua coletânea de contos Noveleletas.

… E falando sobre livros desse ano

Eu não pretendo fazer uma listinha dos melhores livros de 2013, até porque não sou um leitor tão rápido e antenado a ponto de poder ter feito uma boa varredura. Além do mais, acabo lendo mais dos mesmos autores já admirados, clássicos atrasados e coisas do gênero. Mas vão aqui alguns dos destaques que encontrei:

Em primeiro, é claro, repito os vencedores do Prêmio Sesc desse ano: O Evangelho segundo Hitler, de Marcos Peres, é um romance que coloca dois Jorge Luís Borges (há algo mais borgiano do que isso?) no cerne da criação do nazismo. Sim, o livro une dois universos aparentemente distintos: a alta literatura e as histórias de teoria da conspiração, ao estilo de Dan Brown. Uma heresia? Não, várias. Pegue pra ler e confira você mesmo.

Na categoria contos, quem levou foi João Vereza, com seu Noveleletas. São cinco histórias, bastante diversas entre si, mas com um trabalho com a linguagem e a sonoridade bastante intenso, que as mantém bem coesas. A atmosfera narrativa é calcada na oralidade, lembrando autores como Guimarães Rosa e José Cândido de Carvalho. Há, dentro das histórias, incursões à poesia, à cantiga e outras formas. Recomendado.

Outro grande livro nacional lançado esse ano foi Amanhã não tem ninguém, do Flávio Izhaki. Tive a oportunidade de conhecer o autor pessoalmente no evento da Escola Sesc, depois li o livro, escrevi sobre ele em minha coluna no site Homo Literatus (leia AQUI) e o entrevistei aqui no blog. É um belo livro, com o qual me identifiquei muito. Se não leu, leia.

Eu também não poderia deixar de comentar o fato de a vencedora do Nobel desse ano ser uma contista. Um prêmio dessa dimensão ser dado a uma autora que escreveu somente contos é prova de que esse gênero não passa nem perto de ser “menor”, como, infelizmente, parece acreditar a mentalidade dominante aqui em terras não-nobelizadas. Já recomendei a leitura no Facebook e faço-o de novo: O amor de uma boa mulher, de Alice Munro, é uma boa pedida. Alguém pode até argumentar que seus contos são como mini-romances, o que justificaria o prêmio. Pois é, mas na minha opinião a grande graça de suas histórias estão mesmo em pequenos detalhes carregados de força. Isso é espírito de conto.

Mas minha grande “descoberta” literária desse ano foi, sem dúvida, o trabalho de João Anzanello Carrascoza. As aspas, obviamente, estão aí porque ele está na estrada há tempos, eu é que estava atrasado em “descobri-lo”. Li primeiramente Aquela água toda, que era um dos finalistas do Jabuti junto com meu livro. Gostei muito, e fiquei feliz com seu segundo lugar na premiação (embora eu ache que deveria ter levado o primeiro lugar). Daí em diante, fui atrás dos outros livros, emendando a leitura de O volume do silêncio e Aos 7 e aos 40, seu romance lançado esse ano (falei sobre ele no Homo Literatus AQUI). Ler seus textos foi algo que mexeu muito comigo, e exerceu influência direta na minha escrita. Meu(s) próximo(s) livro(s) nunca mais será(ão) o(s) mesmo(s). E ele, Carrascoza, fica com o troféu de autor mais lido por mim esse ano, com três livros somados mais uns contos que encontrei dele em coletâneas lidas em livrarias.

Para 2014, eu pretendo…

Ok, hora de fazer aquela lista de resoluções que a gente nunca cumpre inteira. Espero que consiga realizar, ao menos, algumas das promessas que faço aqui publicamente:

A primeira é escrever mais aqui no blog. Encerrar a série “A história por trás da história”, para a qual ainda estou devendo falar sobre os contos do livro O lugar de cada um, Encantamento e A lâmpada que nunca queima. Também pretendo falar sobre a criação de Casa, conto que saiu no site da Revista Pessoa (leia AQUI) e de algum outro texto que vier a ser publicado. Também pretendo fazer mais entrevistas para a “Com a palavra” e, enfim, escrever mais sobre eventos que participo ou outros assuntos. Fiquei devendo esse ano.

Também – e eis o planejamento mais importante para esse novo ano – pretendo terminar de escrever meu novo livro no primeiro semestre. É um romance que tenho gostado muito do resultado, apesar das crises que às vezes tenho com o processo de escrevê-lo. Comecei a trabalhar nele logo que publiquei o Réveillon e outros dias, e vou dizer: é um trabalho árduo. Por isso acabo deixando a dever em outras áreas, como aqui no blog ou em mais publicações na internet. Não sei se vou conseguir publica-lo ainda em 2014 (o processo é lento), mas vou avisando, claro. É um drama familiar, que acho que deve funcionar muito bem como um passo a seguir ao meu primeiro livro. Mais não digo, por ciúme da história com que tenho convivido tão intimamente.

Pra terminar, gostaria de agradecer muito mesmo a todos que passaram aqui, seja para ler ou comentar. Também quero agradecer muito aos meus colegas entrevistados e aos com quem partilhei tantas experiências através da leitura ou da convivência. Foi um ano maravilhoso. Mesmo.

Obrigado e um ótimo 2014!

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