Com a palavra: Henrique Rodrigues!

Henrique Rodrigues

Estreia agora aqui no blog minha nova seção: “Com a palavra”! O objetivo é conversar com outros escritores sobre seus projetos, seus processos de criação e qualquer outro assunto de interesse. O lance é tentar falar algo sobre o fazer literário, trocar figurinhas nesse sentido, e também tentar criar conversas que saiam um pouco das perguntas tradicionais das entrevistas. Pra abrir com chave de ouro, temos aqui Henrique Rodrigues, autor de livros de poemas como A musa diluída (Record, 2006); infantis como Sofia e o dente de leite (Memória visual, 2011) e organizador de coletâneas de contos como O livro branco (Record, 2012); entre outros trabalhos. Bom, sem mais delongas, com vocês: Henrique Rodrigues.

Você está lançando agora uma coletânea de contos baseadas em músicas dos Beatles, “O livro branco”. Antes dela houve também uma baseada em músicas da Legião Urbana, “Como se não houvesse amanhã”. Queria que você falasse um pouco da sua relação com essas duas bandas e por que você as escolheu.

Cara, eu ouço Legião desde moleque, e a ideia da primeira antologia surgiu quando eu estava no engarrafamento dirigindo para o trabalho, ouvindo “Acrilic on canvas”, da Legião. Comecei a imaginar que aquela letra renderia um conto pelo menos, e quando comentei com amigos escritores, eles começaram a se empolgar também e pensaram nas músicas preferidas para fazer contos. Pensei em reunir essas histórias e colocar num blog ou coisa assim, mas quando meu editor ouviu sobre o assunto também se entusiasmou e quis transformar em livro. Ele tem feito um relativo sucesso, já está na quarta edição e muita gente me cobrava um segundo volume, mas se fosse para fazer algo parecido, achei melhor fazer com outra banda. E os Fab Four são quase unanimidade. Curto Beatles desde que, também molecão, vi Ferris Bueller cantando no “Curtindo a vida adoidado”. Acho que, no fundo, essas duas bandas me trazem uma baita sensação de liberdade.

Hahahhah… essa cena do Ferris Bueller é um “clássico”! Já vi muita gente te perguntando sobre qual vai ser a próxima banda selecionada para uma coletânea similar, ou mesmo te dando sugestões. Você já tem algum plano nesse sentido? E quais foram as sugestões mais frequentes e a mais curiosa?

Pô, isso é engraçado pacas. Já me sugeriram Titãs, Cazuza, Pink Floyd, Stones, Paralamas etc. Até já me pediram para fazer uma antologia sobre músicas bregas, o que certamente seria bem divertido. O desafio de fazer um conto assim é até bastante lúdico e os autores curtem participar, inclusive alguns já se convidaram para fazer parte de uma nova empreitada. Mas na verdade organizar uma antologia com muitos autores vivos (no caso, foram 20 em cada) é muito trabalhoso e complicado, e por hora não penso em fazer nada assim, pois estou no meio do doutorado (Literatura na PUC-Rio), trabalhando muito (coordenador de projetos de educação no Instituto Oi Futuro) e pretendo lançar um livro novo de poemas e uns infantis, que são a minha cachaça literária do momento. Sem falar que não quero ficar marcado como “o cara que faz antologias literárias sobre rock”. Enfim, por hora o lance é deixar “O livro branco” respirar e chegar aos leitores.

Eu ia justamente te perguntar isso. Porque li várias matérias sobre “O livro branco”, e em geral, elas colocavam você como “o cara que organizou também uma antologia sobre a Legião”. E acho que o fato de vc ter feito uma sobre os Beatles – dado o fenômeno que eles são – me pareceu aumentar bastante essa “expectativa” sobre você. Você chegou a se incomodar ou a sentir que estavam começando a ver você mais como esse “cara que faz antologias literárias sobre rock” do que um autor propriamente dito?

Pois é, eu prefiro ser chamado de escritor, que abrange a coisa toda, até a escrita em versos e para crianças. Mas é aquele lance, precisam dar um epíteto para os autores e acho que o lance é correr dessas limitações. Aliás, quando trabalhava no SESC eu me preocupava com os vencedores, pois notei que começavam a ser tratados como “os escritores anônimos que venceram o Prêmio SESC”, meio que marcados pela instituição, e não como bons escritores e ponto. Mas enfim, como não pretendo organizar outra antologia por agora, mas me voltar para outras produções, acho que não vai ser um problema.

Então, você foi um dos idealizadores do Prêmio SESC de Literatura. Queria que você falasse um pouco de como ele surgiu, ou melhor, como vocês fizeram ele acontecer. E queria saber como você vê o Prêmio hoje. Você estava lá no nosso Lançamento na FLIP, então imagino que você ainda acompanhe o resultado.

Quando comecei a trabalhar no SESC Nacional, em 2002, havia um desejo de criar um prêmio literário, considerando o alcance da instituição no país. Daí a ideia de fazer algo diferente e, em vez de fazer um prêmio apenas de marketing cultural, como são os concedidos a autores já consagrados, ou mesmo oferecer dinheiro ou a impressão de livros, pensei no que realmente vale para um autor que começa. Nesse caso, o importante é publicar por uma boa editora, ser bem distribuído e lido. Daí a Record topou a parceria. Hoje vejo o Prêmio com muito orgulho, pois são vários autores muito bons, com diferentes vozes narrativas, que dificilmente teriam chegado ao mercado literário pelos caminhos convencionais. E se trata de um modelo único de concurso no país. Torço para que continue abrindo o caminho para que mais autores sigam suas trajetórias literárias.

E com relação aos livros infantis, como é pra você dialogar com as crianças? Eu pergunto principalmente porque não levo o menor talento pra isso nem na “vida real”, muito menos na literatura. Vc sente que as crianças de hoje são muito diferentes das crianças que fomos, ou no fundo ainda nos encantamos com coisas parecidas?

Escrever para crianças é uma cachaça! Não quero outra coisa. Visitar escolas, ler e papear com a garotada é uma grande realização como escritor e ser humano. Pô, eu também nunca achei que escreveria para crianças (achava a coisa mais difícil de se escrever), até aceitar o pedido de uma editora, e isso até me ajudou a escrever melhor para adultos, dar uma desarmada na cuca. Acho que as crianças de hoje, os nativos digitais, processam tudo mais rápido e tal, mas no fundo são crianças como nós fomos e como todas sempre serão: tudo é fabulação e conquista. Quando nos tornamos adultos, incompletos e de certa forma arrogantes com uma falsa sensação de poder sobre o mundo, voltar a esse estado de liberdade original é um desafio. Escrever para elas, de certa forma, me aproxima desse estado.

Pra finalizar, o nosso “Momento Jabá”. Aproveita aí pra divulgar trabalhos, site, blog, etc., ou enfim, deixar um recado.

Bom, obrigado pelo espaço. Acabamos de lançar “O livro branco”, uma antologia de contos inspirados nas músicas dos Beatles, que está bem legal. Também escrevo para crianças e visito escolas quase semanalmente, o que é muito gratificante. Meu site é www.henriquerodrigues.net.

Henrique, muito obrigado pelo papo, pela dsponibilidade, etc. Aliás, obrigado por ter criado o Prêmio SESC também! rs… Sucesso e um abraço!

Hehe, eu é que agradeço e também te parabenizo pelo Prêmio. Que seja um primeiro grande passo na sua carreira literária. Abração.

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