O que acontece quando você ganha o Prêmio SESC de Literatura

Eu sei que eu devia ter escrito esse post antes, já que as inscrições para esse ano acabaram de se encerrar, mas fazer o quê, agora já foi. Bom, se nada mudar – e eu não creio que vá mudar – em 2013/2014 tem o concurso de novo, e você pode se inscrever. Aliás, se eu posso já dar um conselho logo de cara é: se não deu certo em um ano, tente de novo no próximo. Mandei meu livro para todas as editoras, bem como os contos separados para tudo o que é concurso, e nunca ganhei nada. Nem aqueles concursos sem vergonha que mais parecem uma rifa de self-publishing coletivo. O Prêmio SESC era minha última esperança e deu no que deu.

Concursos são assim mesmo, envolvem sorte também. Se os jurados fossem outros, o resultado provavelmente teria sido diferente. Aliás, se os jurados tivessem lido meu livro em um dia diferente, com um humor diferente, talvez também tivesse sido a sorte de outro concorrente. Os jurados do Prêmio SESC mudam todo ano, então nem tem como tentar encontrar a fórmula do sucesso. Continue a mandar seus textos, continue a tentar. Nenhum resultado é definitivo. E antes que alguém pergunte: sim, eu mandei minhas cópias pelo correio, com pseudônimo, tudo direitinho como está no edital. Fui no bolo geral, tão anônimo quanto qualquer outro. Você tem tanta chance de ganhar quanto eu tive.

LOGO QUE VOCÊ GANHA

A primeira coisa que acontece é que você fica sabendo do Prêmio através de um telefonema do SESC, pouco antes de sair no site (afinal eles precisam pedir sua foto, fazer sua entrevista e te pedir os originais do livro para a Record). Eles deviam gravar essas ligações, eu acho; provavelmente conseguiriam montar um vasto acervo dos autores dessa geração gritando “Putaquiopariu!!!”

A partir daí tem início o processo editorial, ou seja, a parte que cabe mais à Record. Eu preciso dizer uma coisa: antes, sentia um pouco de medo de ser tratado como um ex-BBB, ou um vencedor do “Ídolos”, sabe? Aquela coisa de ser visto como um paraquedista, a quem só têm que publicar pra se livrar de uma obrigação. Eu não podia estar mais enganado.

O trabalho da Record foi primoroso. A edição foi perfeita, o projeto gráfico ficou maravilhoso, e o tempo todo a excelência, a competência e o respeito deles por mim foi enorme. Eu enchi o saco deles, pedindo  centenas de alterações no texto, novas opções de capa, etc. Eles sempre me atenderam prontamente, apesar de nem terem obrigação contratual (eles têm todo o direito de escolher a capa, por exemplo). Foi a primeira vez na minha vida que senti que a participação de outras pessoas no meu trabalho criativo só o melhorou e muito. Serei para sempre grato a cada um dos profissionais de lá, por darem um forma tão bela ao meu “filho”.

NA ESTRADA

Com o livro pronto, você passa a ser convidado pelo SESC a participar de diversos eventos ligados à literatura.  O primeiro é a cerimônia de premiação, na Academia Brasileira de Letras, no Rio. Você pode ter a opinião que for a respeito da ABL, mas vamos lá: se você ganha um prêmio como esse, se realiza o sonho de publicar seu livro, e já “estreia” nesse lugar icônico, com a presença de escritores como Ana Maria Machado e Cristovão Tezza, além dos vencedores do ano anterior e outras personalidades do meio, você tem todo o direito de ficar deslumbrado, na minha opinião. Eu fiquei e fiz questão de falar isso no microfone.

Ah, e aquela sensação de “provável ex-BBB” sumiu completamente nesse dia. O respeito do pessoal do SESC e da Record com os premiados é impressionante. Você é um autor e é respeitado como tal, não tratado como “o cara novo que ganhou”.

O Rio é um show à parte. Sendo músico, sempre quis ir, claro – só os nomes “Corcovado”, “Ipanema”, “Arpoador” etc. já me comovem. Como se não bastasse isso, você já embarca para lá sabendo que vai rolar a dobradinha com a FLIP. Sim, o SESC te leva pra lá também, com passagens e hospedagem pagas. Lá, você participa de um bate-papo na Casa SESC e, claro, pode aproveitar a Festa. Eu sempre tinha sonhado em ir, mas nunca conseguira. Agora fui, e fui como escritor. Depois dessa semana, ficou até difícil voltar pra vida normal.

Eu e a Luisa Geisler, vencedora na categoria Romance, participamos também da Bienal do Livro em São Paulo, e agora temos a Feira do Livro em Boa Vista – RR, e a FLIPIPA, na Praia de Pipa -RN, programadas. Não preciso nem dizer que não vejo a hora de pegar minha esposa e cair em Pipa, né?

Para os próximos meses, provavelmente terão outros convites. Têm sido experiências maravilhosas, conhecendo leitores, autores, dando autógrafos, falando sobre o livro e literatura em geral. O que mais uma pessoa pode querer na vida?

OS PREMIADOS NAS EDIÇÕES ANTERIORES VIRAM TODOS AMIGOS?

Eu já conheci vários dos vencedores dos outros anos – alguns pessoalmente, outros somente através da internet. Não sei se posso dizer que somos todos amigos no sentido mais puro da palavra, mas realmente há uma grande relação de companheirismo estabelecida logo de cara. Conheci primeiro a Luisa e o Arthur Cecim, que venceram no ano anterior. Logo depois, na FLIP, o nosso bate-papo teve a participação do André de Leones e da Lúcia Bettencourt, vencedores em 2005, que se tornaram muito próximos e são gente finíssima. A Lúcia também participou com a gente da Bienal, e foi brilhante.

Conheci o Wesley Peres, o Márcio Ribeiro Leite, o Sérgio Tavares, a Gabriela Gazzinelli e o Maurício de Almeida pela internet. Em maior ou menor grau, tenho mantido comunicação com todos eles. Todos são muito legais e foram muito acolhedores. Além disso, tenho tentado ler os livros e já me deparei com coisa muito boa ali.

SUA VIDA MUDA COMPLETAMENTE COM O PRÊMIO?

Não, completamente não. Continuo morando na mesma casa, com o mesmo carro e basicamente mantendo os mesmos trabalhos de antes. Não sei se você sabe, mas viver só da escrita não é lá muito comum. Quem sabe, um dia. Se você quer se tornar uma celebridade, melhor tentar o BBB. Só fui parado na rua uma vez, logo depois de uma entrevista no jornal: com poucos minutos de conversa, recebi o santinho do candidato a vereador que me cumprimentou.

Mas ter seu livro publicado por uma das maiores editoras do país, com um dos maiores prêmios para novos autores não é algo pequeno. Ver meu livro nas prateleiras, saber que as palavras em que acredito receberam “vida” de uma forma muito digna e poder compartilhar isso com as pessoas… bom, em determinados instantes, sim, sua vida torna-se completamente diferente.

Eu amo livros. Ver meu “Réveillon e outros dias” publicado é como finalmente ser correspondido no amor.

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